Estudo revela uso frequente de exames e procedimentos desnecessários em hospitais pediátricos dos EUA
Mesmo com diretrizes clínicas bem estabelecidas, exames e procedimentos de baixo valor — aqueles que oferecem pouco ou nenhum benefício real para a criança — ainda são amplamente utilizados em hospitais pediátricos dos Estados Unidos. Essa é a conclusão de um estudo recente publicado na revista Pediatrics.
A pesquisa avaliou mais de 400 mil internações pediátricas ocorridas entre julho de 2022 e junho de 2024, em 43 hospitais infantis, e identificou grande variação entre as instituições na adoção desses cuidados considerados desnecessários.
Para a análise, os pesquisadores utilizaram o Low-Value Care Calculator, uma ferramenta que estabelece metas realistas de redução desses exames com base no desempenho de hospitais que já apresentam melhores práticas. Entre os exemplos mais frequentes de uso excessivo, destacam-se:
Solicitação de PCR ou VHS em casos de pneumonia adquirida na comunidade, com um excesso estimado de 39%; Dosagem de eletrólitos em crianças com convulsão febril, realizada 38% acima do necessário; Hemoculturas em pneumonia, utilizadas em cerca de 35% dos casos além do recomendado.
Por outro lado, o estudo também identificou cinco práticas com índices muito baixos de baixo valor, indicando que alguns protocolos já estão bem consolidados e podem servir como referência para outras instituições.
Os autores observaram ainda que certos hospitais tendem, de forma consistente, a utilizar mais ou menos exames desnecessários, o que abre espaço para comparação de desempenho, revisão de protocolos e melhoria contínua da qualidade assistencial.
A redução de cuidados de baixo valor representa não apenas economia de recursos, mas principalmente a diminuição de desconforto, riscos e intervenções desnecessárias para as crianças, reforçando a importância de uma pediatria baseada em evidências e centrada no paciente.
Referência
Estudo revela exames e procedimentos desnecessários comuns em hospitais pediátricos nos EUA.
Pediatrics. Publicado em 26 de janeiro de 2026.
DOI: 10.1542/peds.2024-069283.
