Coronárias no ecocardiograma

❤️ Inteligência artificial no ecocardiograma pediátrico: coronárias medidas em menos de 2 segundos

Avaliar as artérias coronárias em crianças exige experiência, precisão e atenção a detalhes. Na doença de Kawasaki, essa avaliação ganha ainda mais importância, já que o comprometimento coronariano está diretamente relacionado à estratificação de risco e ao seguimento.

Um estudo publicado no Pediatric Research avaliou 2.314 ecocardiogramas pediátricos e testou um modelo de inteligência artificial desenvolvido para identificar e medir automaticamente as coronárias.

Os resultados chamam atenção: para a artéria coronária direita, o modelo apresentou recall de 96,4% e mAP50 de 99,2%. Para o tronco da coronária esquerda, o mAP50 foi de 97,0%.

E talvez o dado mais interessante esteja no tempo: as medidas automáticas foram realizadas em menos de 2 segundos, enquanto os especialistas levaram, em média, 16,3 segundos.

Isso não significa substituir o ecocardiografista.

Significa utilizar a IA como ferramenta de apoio para uma tarefa que pode ser tecnicamente difícil, buscando mais rapidez, reprodutibilidade e padronização. A interpretação do exame, o contexto clínico e as decisões continuam dependendo do médico.

É uma tecnologia promissora, mas ainda há um ponto importante: trata-se de um estudo unicêntrico, e validações externas e prospectivas são necessárias antes de incorporar esse tipo de algoritmo à prática clínica de rotina.

No fim, talvez o futuro do ecocardiograma não seja escolher entre médico ou inteligência artificial. Seja usar melhor a tecnologia para que o médico possa enxergar com ainda mais precisão. ❤️

Referência: Lai LP, Li ZL, Liu QF, et al. Pediatric Research. 2026. doi:10.1038/s41390-026-05472-9.

Saúde cardiovascular começa na infância

❤️ A saúde cardiovascular começa na infância.

No Dia Mundial do Coração, vale lembrar que prevenção cardiovascular não é assunto apenas de adulto.

Pressão arterial elevada, excesso de peso, alterações do colesterol, sedentarismo e exposição à nicotina podem surgir ainda na infância e acompanhar a pessoa ao longo da vida.

E isso também importa para crianças e adolescentes com cardiopatias congênitas. Corrigir a anatomia ou realizar uma cirurgia cardíaca não elimina a necessidade de cuidar dos fatores de risco cardiovascular adquiridos.

Há muito que podemos começar cedo: incentivar atividade física adequada, alimentação equilibrada, sono de qualidade, manutenção de peso saudável, acompanhamento da pressão arterial e uma vida livre de cigarro e vape.

Pequenas escolhas feitas durante a infância podem influenciar décadas de saúde cardiovascular.

Cuidar do coração de uma criança também é cuidar do adulto que ela será. ❤️

📚 Referências:
World Health Organization. Guideline on the prevention and management of elevated blood pressure in children and adolescents. WHO; 2025.
de Ferranti SD, et al. Cardiovascular risk reduction in high-risk pediatric patients. Circulation. 2019;139:e603-e634.
Lloyd-Jones DM, et al. Life’s Essential 8: Updating and enhancing the American Heart Association’s construct of cardiovascular health. Circulation. 2022;146:e18-e43.

#DiaMundialDoCoração #CardiologiaPediátrica #SaúdeCardiovascular #PrevençãoCardiovascular #SaúdeInfantil #CardiopatiaCongênita #CoraçãoSaudável #Pediatria

O coração não trabalha sozinho

❤️ O coração não trabalha sozinho. Ele e as artérias precisam funcionar em sintonia.

É justamente essa interação que o acoplamento ventrículo-arterial, ou VAC, procura avaliar.

De forma simplificada, o VAC relaciona a capacidade contrátil do ventrículo esquerdo, representada pela elastância sistólica final, com a carga imposta pelo sistema arterial, estimada pela elastância arterial.

Essa relação ajuda a compreender algo que a fração de ejeção, isoladamente, nem sempre consegue mostrar: quanto esforço o ventrículo precisa fazer para ejetar sangue diante da carga arterial que encontra.

Na ecocardiografia, esse conceito tem sido estudado como uma forma de identificar alterações cardiovasculares mais precoces e compreender melhor a interação entre função ventricular e pós-carga.

Em crianças expostas a antraciclinas, por exemplo, alterações do VAC podem estar presentes mesmo quando a FEVE permanece preservada, sugerindo modificações fisiológicas ainda subclínicas.

Mas é importante colocar o marcador no lugar certo: VAC não substitui FEVE, strain ou avaliação clínica. Atualmente, seu papel é complementar e ainda depende de maior validação longitudinal para definir seu valor prognóstico e sua aplicação rotineira.

Porque, às vezes, entender o coração exige olhar não apenas para o ventrículo, mas também para aquilo contra o que ele precisa trabalhar. 🫀

📚 Referência:
Wilcox J, Schwartz L, Mahgerefteh J, et al. Ventricular Arterial Coupling as a Marker of Early Cardiotoxicity in Survivors of Childhood Cancer. Pediatr Cardiol. Published September 23, 2026. doi:10.1007/s00246-026-04471-1.

Citomegalovírus

🦠 Citomegalovírus congênito: uma criança pode passar na triagem auditiva e ainda desenvolver perda auditiva depois.

Esse é um dos pontos importantes do novo Clinical Report da American Academy of Pediatrics (AAP) sobre CMV congênito, publicado em 21 de setembro.

O documento revisa diagnóstico, manifestações clínicas, avaliação inicial, tratamento antiviral e acompanhamento, com atenção especial à perda auditiva neurossensorial.

Um aspecto relevante é a estratégia de rastreamento. A orientação discute hearing-targeted screening associado à ampliação da testagem, porque depender exclusivamente da falha na triagem auditiva neonatal pode deixar casos sem diagnóstico. Algumas crianças com CMV congênito apresentam audição inicialmente normal e desenvolvem perda auditiva posteriormente.

E existe outro ponto fundamental: o diagnóstico tem uma janela curta. A confirmação da infecção nas primeiras semanas de vida é essencial para estabelecer que a transmissão foi congênita e diferenciá-la da infecção adquirida após o nascimento.

Por isso, reconhecer precocemente quem deve ser investigado pode modificar todo o acompanhamento da criança, incluindo vigilância auditiva e do neurodesenvolvimento e, nos casos com indicação, avaliação para tratamento antiviral.

O novo documento reforça uma mensagem simples: passar na triagem auditiva neonatal não encerra necessariamente a história quando existe CMV congênito.

Diagnóstico precoce também é oportunidade de cuidado. ❤️

📚 Referência: American Academy of Pediatrics. Care of the Infant With Congenital Cytomegalovirus Infection: Clinical Report. Pediatrics. Published September 21, 2026. e2026078595. doi:10.1542/peds.2026-078595.

#Citomegalovírus #CMVCongênito #Pediatria #Neonatologia #TriagemAuditivaNeonatal #SaúdeAuditiva #Neurodesenvolvimento #MedicinaBaseadaEmEvidências

Citomegalovírus congênito

🦠 Citomegalovírus congênito: uma criança pode passar na triagem auditiva e ainda desenvolver perda auditiva depois.

Esse é um dos pontos importantes do novo Clinical Report da American Academy of Pediatrics (AAP) sobre CMV congênito, publicado em 21 de setembro.

O documento revisa diagnóstico, manifestações clínicas, avaliação inicial, tratamento antiviral e acompanhamento, com atenção especial à perda auditiva neurossensorial.

Um aspecto relevante é a estratégia de rastreamento. A orientação discute hearing-targeted screening associado à ampliação da testagem, porque depender exclusivamente da falha na triagem auditiva neonatal pode deixar casos sem diagnóstico. Algumas crianças com CMV congênito apresentam audição inicialmente normal e desenvolvem perda auditiva posteriormente.

E existe outro ponto fundamental: o diagnóstico tem uma janela curta. A confirmação da infecção nas primeiras semanas de vida é essencial para estabelecer que a transmissão foi congênita e diferenciá-la da infecção adquirida após o nascimento.

Por isso, reconhecer precocemente quem deve ser investigado pode modificar todo o acompanhamento da criança, incluindo vigilância auditiva e do neurodesenvolvimento e, nos casos com indicação, avaliação para tratamento antiviral.

O novo documento reforça uma mensagem simples: passar na triagem auditiva neonatal não encerra necessariamente a história quando existe CMV congênito.

Diagnóstico precoce também é oportunidade de cuidado. ❤️

📚 Referência: American Academy of Pediatrics. Care of the Infant With Congenital Cytomegalovirus Infection: Clinical Report. Pediatrics. Published September 21, 2026. e2026078595. doi:10.1542/peds.2026-078595.

#Citomegalovírus #CMVCongênito #Pediatria #Neonatologia #TriagemAuditivaNeonatal #SaúdeAuditiva #Neurodesenvolvimento #MedicinaBaseadaEmEvidências

❤️ Pacing fisiológico também está avançando na cardiologia pediátrica.

Uma revisão sistemática e meta-análise publicada em 16 de setembro avaliou o left bundle branch area pacing (LBBAP) em crianças e adolescentes. Foram incluídos 8 estudos, com 127 pacientes de até 18 anos.

A taxa agrupada de sucesso do implante foi de 80%, com 9,7% de complicações. Entre pacientes com cardiopatias congênitas, o sucesso foi numericamente menor nas anatomias complexas, 64,0% versus 83,6% nas simples, mas sem diferença estatisticamente significativa.

Outro achado interessante veio do ecocardiograma. Nos 50 pacientes com dados disponíveis, houve redução significativa do z-score do diâmetro diastólico final do ventrículo esquerdo, diferença média de −1,12, p=0,026, sem mudança significativa da FEVE média.

Por que isso é relevante na pediatria? Crianças que necessitam de estimulação cardíaca podem permanecer expostas ao pacing por décadas. A estimulação ventricular direita convencional pode produzir dessincronia e, em alguns pacientes, contribuir para cardiomiopatia induzida por pacing. O LBBAP busca utilizar o sistema de condução para proporcionar uma ativação ventricular mais fisiológica.

Os resultados são promissores, mas ainda precisam ser interpretados com cautela. São apenas 127 pacientes, e questões próprias da pediatria, como anatomias congênitas complexas, pequeno tamanho corporal, crescimento e comportamento dos eletrodos em longo prazo, permanecem fundamentais.

📚 Referência:

Leung HT, Tsao S, Wong WH-S, Cheung Y-F, Kwok S-Y. Left Bundle Branch Area Pacing in Children: A Systematic Review and Meta-analysis of Feasibility, Safety, and Outcomes. Front Cardiovasc Med. 2026;13:1923714. doi:10.3389/fcvm.2026.1923714.

Reabilitação cardíaca vai muito além do exercício.

🏃‍♀️

A European Society of Cardiology publicou, em 2026, sua primeira diretriz inteiramente dedicada à reabilitação cardíaca, consolidando uma abordagem mais ampla da prevenção cardiovascular secundária.

O documento reforça que um programa de reabilitação não deve se limitar à prescrição de atividade física. Ele deve integrar exercício individualizado, controle dos fatores de risco cardiovascular, educação em saúde, suporte psicossocial, adesão ao tratamento, qualidade de vida e recuperação da funcionalidade.

Outro ponto importante é o reconhecimento das estratégias remotas e híbridas, que podem ampliar o acesso e complementar os programas presenciais.

🫀 E o que isso tem a ver com cardiologia pediátrica e congênita?

Embora a diretriz seja predominantemente direcionada à população adulta, seus princípios são particularmente interessantes para pacientes com cardiopatias congênitas que chegam à adolescência e à vida adulta.

Para esses pacientes, estimular atividade física segura, combater o sedentarismo, individualizar a prescrição de exercício e organizar adequadamente a transição do cuidado pediátrico para o adulto são partes importantes do acompanhamento cardiovascular ao longo da vida.

Reabilitar não significa apenas “voltar a fazer exercício”. Significa recuperar capacidade funcional, autonomia, confiança e qualidade de vida. 💚

📚 Referência:
Bäck M, Wilhelm M, Hansen D, et al. 2026 ESC Guidelines for cardiac rehabilitation. Eur Heart J. 2026. doi:10.1093/eurheartj/ehag099.

❤️ Mudança importante na forma como definimos o infarto do miocárdio.

A Fifth Universal Definition of Myocardial Infarction, publicada conjuntamente por ESC, ACC, AHA e World Heart Federation, propõe uma mudança conceitual relevante: a tradicional classificação numérica dos tipos 1 a 5 dá lugar a três categorias clínicas mais intuitivas:

🫀 Infarto primário
🫀 Infarto secundário
🫀 Infarto relacionado a procedimentos

Mais do que uma mudança de nomenclatura, o novo documento procura aproximar a classificação do mecanismo fisiopatológico responsável pela lesão miocárdica.

Entre os pontos que merecem destaque estão a inclusão explícita da dissecção coronariana espontânea, vasoespasmo e embolia coronariana entre os mecanismos de infarto primário, além da recomendação de utilizar o percentil 99 da troponina específico para o sexo, aspecto particularmente relevante para reduzir o risco de subdiagnóstico em mulheres.

Outro avanço importante é o fortalecimento da imagem cardiovascular na investigação etiológica. Ecocardiografia, ressonância magnética cardíaca e angiotomografia coronariana passam a ter papel ainda mais relevante na diferenciação dos mecanismos de lesão miocárdica e na correta classificação do evento.

Na prática, essa atualização deverá repercutir na maneira como descrevemos os casos nos laudos e prontuários, mas também na pesquisa científica, nos endpoints de ensaios clínicos e nos estudos epidemiológicos.

Uma mudança de nome que, na realidade, representa uma mudança na maneira de pensar o infarto. ❤️

📚 Referência:
Mills NL, Newby LK, Zaman S, et al. Fifth Universal Definition of Myocardial Infarction. Eur Heart J. 2026. doi:10.1093/eurheartj/ehag101.

Saúde Mental Materna

😔 A principal causa de morte materna durante o primeiro ano de vida do bebê é o suicídio. Infelizmente, esse é mais um dos desafios enfrentados pelas mães puérperas.

De acordo com o The National Institute of Mental Health (NIMH) Developing Centers for Intervention and Prevention of Suicide , a vontade de se matar é definida como o desejo de morrer, com pensamentos de se matar e com intenção de se matar.

🤱 Por isso, engana-se quem pensa que tentar o suicídio é para chamar a atenção. O período perinatal é de extrema vulnerabilidade para as doenças mentais, sobretudo a depressão e transtorno afetivo bipolar. Os principais fatores de risco para o suicídio materno são:

🔹Tentativas prévias de suicídio;
🔹Presença ou história pessoal de transtorno psiquiátrico;
🔹Mulheres mais jovens, não casadas, com história pessoal ou familiar de transtorno psiquiátrico ou suicídio;
🔹Vítimas de violência, pouco suporte social, rejeição do pai do bebê;
🔹Vítimas de discriminação social ou racial;
🔹Gravidez não planejada e desejada.

👥 Como comunidade precisamos estar atentas a essas mães, oferecendo suporte e auxiliando na busca de ajuda! Como profissionais da saúde, temos uma grande oportunidade de perceber os sinais e conduzir da melhor maneira para que elas sejam diagnosticadas e tratadas quanto a ideação suicida.

🩺 Dra. Gabriela Aires Ribas
Pediatra e Cardiologista Pediátrica
RQE 33941/ 33942

Você sabe descrever corretamente uma origem anômala de artéria coronária? 🫀

As anomalias da origem aórtica das artérias coronárias, conhecidas pela sigla AAOCA, apresentam grande diversidade anatômica. Algumas podem ser apenas achados incidentais, enquanto outras podem estar relacionadas à isquemia miocárdica, arritmias e morte súbita, especialmente em indivíduos jovens.  

Um dos grandes problemas, até agora, era a falta de uniformidade na maneira de descrever essas alterações.

Em 2026, Mery e colaboradores, por meio do International Coronary Artery Anomalies Collaborative (ICAAC), propuseram uma nomenclatura internacional padronizada para AAOCA. O objetivo é criar uma linguagem anatômica comum entre cardiologistas, especialistas em imagem cardiovascular, cirurgiões e patologistas.  

A proposta começa com um descritor central que informa:

🫀 qual artéria coronária é anômala
📍 de onde ela se origina
🔎 qual é o seu trajeto proximal

Por exemplo: R-AAOCA/LS-IM descreve uma coronária direita anômala, originada no seio esquerdo, com trajeto intramural.  

Além disso, características como morfologia e localização do óstio, comprimento do segmento intramural, elipticidade, grau de estreitamento e ângulo agudo de emergência podem ser acrescentadas para tornar a descrição anatômica muito mais precisa.  

Um ponto fundamental: a nomenclatura é anatômica e não pretende, isoladamente, classificar o risco do paciente. A ideia é justamente padronizar a linguagem para que estudos futuros possam identificar melhor quais características realmente determinam isquemia e eventos adversos.  

📚 Referência:
Mery CM, Nathan M, Gräni C, et al. Proposed Standardized Nomenclature for Anomalous Aortic Origin of a Coronary Artery: An International Multidisciplinary Initiative. JACC Cardiovasc Imaging. 2026;19:983-1001. doi:10.1016/j.jcmg.2026.02.005.