Você sabe descrever corretamente uma origem anômala de artéria coronária? 🫀

As anomalias da origem aórtica das artérias coronárias, conhecidas pela sigla AAOCA, apresentam grande diversidade anatômica. Algumas podem ser apenas achados incidentais, enquanto outras podem estar relacionadas à isquemia miocárdica, arritmias e morte súbita, especialmente em indivíduos jovens.  

Um dos grandes problemas, até agora, era a falta de uniformidade na maneira de descrever essas alterações.

Em 2026, Mery e colaboradores, por meio do International Coronary Artery Anomalies Collaborative (ICAAC), propuseram uma nomenclatura internacional padronizada para AAOCA. O objetivo é criar uma linguagem anatômica comum entre cardiologistas, especialistas em imagem cardiovascular, cirurgiões e patologistas.  

A proposta começa com um descritor central que informa:

🫀 qual artéria coronária é anômala
📍 de onde ela se origina
🔎 qual é o seu trajeto proximal

Por exemplo: R-AAOCA/LS-IM descreve uma coronária direita anômala, originada no seio esquerdo, com trajeto intramural.  

Além disso, características como morfologia e localização do óstio, comprimento do segmento intramural, elipticidade, grau de estreitamento e ângulo agudo de emergência podem ser acrescentadas para tornar a descrição anatômica muito mais precisa.  

Um ponto fundamental: a nomenclatura é anatômica e não pretende, isoladamente, classificar o risco do paciente. A ideia é justamente padronizar a linguagem para que estudos futuros possam identificar melhor quais características realmente determinam isquemia e eventos adversos.  

📚 Referência:
Mery CM, Nathan M, Gräni C, et al. Proposed Standardized Nomenclature for Anomalous Aortic Origin of a Coronary Artery: An International Multidisciplinary Initiative. JACC Cardiovasc Imaging. 2026;19:983-1001. doi:10.1016/j.jcmg.2026.02.005.  

Anemia e cirurgia cardiovascular

Anemia antes da cirurgia cardíaca não é apenas um número no exame. É um fator de risco que pode ser tratado.

Até metade dos pacientes que serão submetidos à cirurgia cardíaca apresenta anemia no pré-operatório. Além disso, muitos têm deficiência de ferro mesmo com hemoglobina normal, o que também está associado a maior risco de complicações.

As evidências mais recentes da American Heart Association reforçam que a avaliação pré-operatória deve incluir a investigação das causas da anemia e da deficiência de ferro. O tratamento precoce, especialmente quando indicado com ferro intravenoso, faz parte das estratégias de Patient Blood Management, reduzindo a necessidade de transfusões e contribuindo para melhores resultados cirúrgicos.

Cuidar da anemia antes da cirurgia significa preparar melhor o organismo para enfrentar o procedimento, favorecer a recuperação e oferecer um cuidado mais seguro e baseado em evidências.

🩸 A cirurgia começa muito antes da entrada no centro cirúrgico.

Referência

Howard-Quijano K, Shore-Lesserson L, Osho A, et al. Perioperative Anemia and Patient Blood Management in Cardiac Surgery: A Scientific Statement From the American Heart Association. Circulation. 2026;153:e00-e00. doi:10.1161/CIR.0000000000001446.  

🫀Avanços em arritmias

🫀 Avanços em arritmias em 2025

Novos estudos em cardiologia trouxeram descobertas importantes no manejo das arritmias, especialmente da fibrilação atrial.

🔹 Estudos recentes sugerem que nem todos os pacientes precisam manter anticoagulação por toda a vida após ablação bem-sucedida de fibrilação atrial, principalmente aqueles com baixo risco tromboembólico.

🔹 Mudanças no estilo de vida (controle de peso, pressão arterial, diabetes, apneia do sono, atividade física e redução de álcool) mostraram impacto significativo na redução de recorrência da arritmia.

🔹 Testes genéticos em pacientes com fibrilação atrial de início precoce podem identificar doenças cardíacas hereditárias e mudar a conduta clínica.

🔹 Novas tecnologias de estimulação do sistema de condução cardíaco podem reduzir mortalidade e insuficiência cardíaca quando comparadas ao marcapasso ventricular tradicional.

📌 Esses avanços reforçam que o tratamento das arritmias está evoluindo para uma abordagem mais personalizada, preventiva e baseada em mecanismos da doença.