🫀Avanços em arritmias

🫀 Avanços em arritmias em 2025

Novos estudos em cardiologia trouxeram descobertas importantes no manejo das arritmias, especialmente da fibrilação atrial.

🔹 Estudos recentes sugerem que nem todos os pacientes precisam manter anticoagulação por toda a vida após ablação bem-sucedida de fibrilação atrial, principalmente aqueles com baixo risco tromboembólico.

🔹 Mudanças no estilo de vida (controle de peso, pressão arterial, diabetes, apneia do sono, atividade física e redução de álcool) mostraram impacto significativo na redução de recorrência da arritmia.

🔹 Testes genéticos em pacientes com fibrilação atrial de início precoce podem identificar doenças cardíacas hereditárias e mudar a conduta clínica.

🔹 Novas tecnologias de estimulação do sistema de condução cardíaco podem reduzir mortalidade e insuficiência cardíaca quando comparadas ao marcapasso ventricular tradicional.

📌 Esses avanços reforçam que o tratamento das arritmias está evoluindo para uma abordagem mais personalizada, preventiva e baseada em mecanismos da doença.  

Cardiomiopatia Hipertrófica

Na cardiomiopatia hipertrófica, identificar pacientes com maior risco de eventos cardiovasculares ainda é um desafio clínico importante.

Um estudo recente avaliou a integração de dois marcadores complementares:

Realce tardio pelo gadolínio (LGE) na ressonância cardíaca – marcador de fibrose miocárdica Strain longitudinal global do ventrículo esquerdo (GLS) – marcador de disfunção miocárdica subclínica

🔎 Principais achados do estudo (652 pacientes, seguimento médio de 7,4 anos):

Maior quantidade de fibrose (LGE elevado) esteve associada a mais eventos cardiovasculares. GLS reduzido também foi relacionado a pior prognóstico. Pacientes com LGE alto + GLS baixo apresentaram o maior risco de eventos, incluindo morte cardiovascular, eventos relacionados à morte súbita e hospitalização por insuficiência cardíaca.

📊 Conclusão:

A combinação de LGE e GLS melhora a estratificação de risco na cardiomiopatia hipertrófica, permitindo identificar pacientes com maior probabilidade de eventos cardiovasculares.

💡 Mensagem prática:

Avaliar estrutura (fibrose) e função miocárdica (strain) de forma integrada pode refinar a avaliação prognóstica desses pacientes.

Um alerta de saúde pública

📌 Baixa adesão ao seguimento de crianças expostas à sífilis congênita: um alerta em saúde pública

O estudo de Sampaio MG e Hofer CB, publicado no Jornal de Pediatria, analisou a adesão de cuidadores ao acompanhamento ambulatorial de crianças infectadas ou expostas à sífilis durante a gestação.

🔎 Principais achados (n = 256):

Apenas 32% tiveram adesão básica (seguimento clínico + laboratorial). Somente 16% alcançaram adesão completa (incluindo consultas especializadas). 14% evoluíram com sequelas permanentes.

⚠️ Dado crítico: a maioria dos recém-nascidos é assintomática e recebe tratamento inicial, o que pode gerar falsa sensação de resolução do problema e reduzir a percepção da necessidade de seguimento prolongado.

📊 Fatores associados à maior adesão:

Idade materna mais avançada Presença de sequelas na criança

👩‍🍼 Mães adolescentes apresentaram maior vulnerabilidade, com barreiras relacionadas a menor autonomia, dificuldades de acesso e fragilidade social.

🏥 O estudo reforça a necessidade de:

Fortalecer a Atenção Primária à Saúde (APS) Melhorar a integração entre maternidades e APS Implementar busca ativa Reduzir barreiras estruturais (transporte, acesso, continuidade do cuidado)

📌 Conclusão:

Apesar das diretrizes nacionais, a adesão ao seguimento ainda é insuficiente, mantendo risco de desfechos adversos evitáveis. Políticas públicas focadas em coordenação do cuidado e suporte às famílias vulneráveis — especialmente mães adolescentes — são fundamentais para mudar esse cenário.

#SífilisCongênita #SaúdePública #Pediatria #AtençãoPrimária #SeguimentoInfantil

Ferro todos os dias ou em dias alternados?

💊 Ferro todos os dias ou em dias alternados? A ciência responde

Um grande estudo clínico randomizado e duplo-cego avaliou mulheres com deficiência de ferro e comparou duas estratégias de suplementação oral:

🔹 Ferro todos os dias

🔹 Ferro em dias alternados, com a mesma dose total ao final do tratamento

Principais achados:

📊 Os níveis de ferritina foram semelhantes nos dois esquemas 🤢 Efeitos gastrointestinais foram muito mais frequentes com o uso diário 🔄 O esquema em dias alternados gerou menor aumento da hepcidina, favorecendo melhor absorção do ferro ⏳ Após 6 meses, a deficiência de ferro foi menor no grupo que usou ferro em dias alternados

Conclusão prática:

👉 Para a maioria das mulheres com deficiência de ferro (sem anemia grave), tomar ferro em dias alternados é tão eficaz quanto diariamente, com menos efeitos colaterais e melhor adesão.

📚 Estudo publicado na eClinicalMedicine (The Lancet), 2023.

Síndrome do desconforto respiratório agudo

🫁 ❗ RIGHT-SIDED HEART FAILURE no ARDS — o que a evidência diz

Recentemente, uma revisão publicada no European Respiratory Review traz uma visão integrada sobre como a síndrome do desconforto respiratório agudo (ARDS) pode levar à insuficiência do ventrículo direito.

💡 Pontos principais:

• No ARDS há aumento da resistência vascular pulmonar → sobrecarga no VD

• Ventilação mecânica com PEEP alta pode agravar esse estresse no coração direito

• Hipóxia, inflamação e aumento do pós-carga pulmonar contribuem para disfunção do VD

• A disfunção do VD está associada a pior desfecho clínico em pacientes graves

🧠 Por que isso importa?

Reconhecer e monitorar a função do coração direito no ARDS é crucial — especialmente em pacientes ventilados — para guiar estratégias ventilatórias e otimizar desfechos.

📚 European Respiratory Review (@europeanrespreview)

🧪 Authors: Yogeswaran et al.

Prolapso da valva mitral

🫀 PROLAPSO DA VALVA MITRAL (PVM):

nem sempre é benigno

O PVM é uma condição heterogênea. Embora muitos pacientes tenham evolução favorável, um subgrupo apresenta maior risco de arritmias ventriculares e morte súbita.

🔎 Fenótipos principais

• Doença de Barlow → folhetos espessos, redundantes, multissegmentares

• Deficiência fibroelástica → folhetos e cordas finos, maior risco de ruptura

• Fendas mitrais podem agravar a regurgitação

⚠️ Disjunção Anular Mitral (MAD)

✔️ MAD verdadeiro: separação do anel mitral visível em sístole e diástole

✔️ Associado a maior risco arrítmico

❌ Pseudo-MAD: efeito óptico por folhetos volumosos

❤️ Marcadores de risco arrítmico

• Prolapso bivalvar

• Folhetos longos e redundantes

• MAD > 8,5 mm

• Fibrose miocárdica na RM (LGE), especialmente em parede inferolateral ou músculos papilares

📈 Sinais ecocardiográficos importantes

• Sinal de Pickelhaube (Doppler tecidual)

• Curling da base do VE na sístole

• Dispersão mecânica ao strain

🧠 Mensagem-chave

PVM não é uma única doença.

A avaliação integrada com ecocardiografia avançada, ECG e RM cardíaca é fundamental para identificar pacientes de alto risco arrítmico e orientar seguimento individualizado.

📚 Imagem cardíaca salva vidas quando bem interpretada.

Hipertensão na infância

🩺 Hipertensão na infância: um risco que pode acompanhar por toda a vida

📅 16 de fevereiro de 2026

📚 The Lancet Child & Adolescent Health

🔗 DOI: 10.1016/S2352-4642(25)00302-5

A pressão alta em crianças e adolescentes deixou de ser rara e já é considerada um problema de saúde pública. Quanto mais cedo ela surge, maior o tempo de agressão ao coração e aos vasos, aumentando o risco de doenças cardiovasculares ao longo da vida.

🔎 O que o estudo destaca:

A hipertensão pediátrica está crescendo globalmente, sobretudo em países de baixa e média renda. As causas são múltiplas: genética, alimentação rica em ultraprocessados e sal, excesso de peso, sedentarismo, pouco sono e outras condições associadas. Na maioria das vezes, não há sintomas, o que dificulta o reconhecimento precoce.

⚠️ Desafio central:

O diagnóstico tardio — muitas crianças não têm a pressão medida rotineiramente, e há pouca familiaridade com hipertensão de início precoce, especialmente em contextos com menos recursos.

❤️ Por que isso importa?

Mesmo sem sintomas, a pressão alta na infância pode causar alterações no coração e nos vasos e aumentar a chance de hipertensão persistir na vida adulta.

✅ Mensagem-chave:

Cuidar da pressão arterial desde cedo — com alimentação saudável, atividade física, controle do peso, redução de sal e medicamentos quando indicados — é uma das estratégias mais eficazes para proteger o coração no futuro.

👉 Prevenção começa na infância.