Junho Laranja

Junho Laranja: prevenir a anemia ferropriva é proteger o desenvolvimento infantil

A anemia ferropriva é a deficiência nutricional mais comum no mundo e continua sendo um importante problema de saúde pública, principalmente em crianças menores de 5 anos. O Junho Laranja é uma campanha dedicada à conscientização sobre a prevenção, o diagnóstico precoce e o tratamento adequado dessa condição.  

Por que a anemia ferropriva preocupa?

O ferro é essencial para a produção de hemoglobina, responsável pelo transporte de oxigênio no sangue. Quando há deficiência de ferro, podem ocorrer:

• Atraso no desenvolvimento neuropsicomotor.

• Redução da capacidade de aprendizagem.

• Alterações cognitivas e comportamentais.

• Comprometimento da imunidade, aumentando o risco de infecções.

• Déficit de crescimento.

• Em gestantes, maior risco de prematuridade, baixo peso ao nascer e prejuízo ao desenvolvimento fetal.  

Como prevenir?

A prevenção começa ainda na gestação e continua durante toda a infância:

  • Alimentação materna rica em ferro.
  • Clampeamento tardio do cordão umbilical quando possível.
  • Aleitamento materno exclusivo até os 6 meses.
  • Introdução alimentar com alimentos ricos em ferro, especialmente carnes.
  • Evitar leite de vaca integral no primeiro ano de vida.
  • Suplementação de ferro para crianças com fatores de risco, conforme recomendação do pediatra.  

A Organização Mundial da Saúde, a Academia Americana de Pediatria (AAP), a ESPGHAN e a Sociedade Brasileira de Pediatria recomendam estratégias específicas de suplementação de ferro para grupos de maior risco.  

Referências

  1. Weffort VRS, Lamounier JA, Capanema FD, et al. Junho Laranja: Conscientização e Prevenção da Anemia Ferropriva. Boletim Científico da Sociedade Mineira de Pediatria. 2026;85.  
  2. World Health Organization. Guideline on haemoglobin cutoffs to define anaemia in individuals and populations. Geneva: WHO; 2024.
  3. Sociedade Brasileira de Pediatria. Recomendações para o tratamento e prevenção da deficiência de ferro e anemia ferropriva em lactentes. Atualização 2026.

Nutrição

Nutrição e neurodesenvolvimento: o cérebro também se alimenta 🧠🥦

Os primeiros anos de vida são uma janela crítica para o desenvolvimento cerebral.

Segundo a nova diretriz da Sociedade Brasileira de Pediatria, a nutrição adequada desde a gestação até os 2 primeiros anos influencia diretamente processos como neurogênese, mielinização, sinaptogênese e plasticidade neural. 

O aleitamento materno exclusivo até os 6 meses continua sendo o padrão-ouro, pois além de nutrir, oferece componentes bioativos essenciais para o amadurecimento neurológico e imunológico. A diretriz também reforça que, após esse período, a alimentação complementar deve ser diversificada, equilibrada e baseada em alimentos in natura ou minimamente processados.   

Micronutrientes como ferro, zinco, iodo, vitamina B12, colina e ômega-3 são fundamentais para cognição, memória, comportamento e aprendizado. Já deficiências nutricionais nessa fase podem repercutir no desempenho neurocognitivo e aumentar a vulnerabilidade a doenças ao longo da vida. 

A mensagem é clara: alimentar bem uma criança é também investir no desenvolvimento do cérebro, da aprendizagem e do futuro. 🌱🧠

Hipertensão na infância

🩺 Hipertensão na infância: um risco que pode acompanhar por toda a vida

📅 16 de fevereiro de 2026

📚 The Lancet Child & Adolescent Health

🔗 DOI: 10.1016/S2352-4642(25)00302-5

A pressão alta em crianças e adolescentes deixou de ser rara e já é considerada um problema de saúde pública. Quanto mais cedo ela surge, maior o tempo de agressão ao coração e aos vasos, aumentando o risco de doenças cardiovasculares ao longo da vida.

🔎 O que o estudo destaca:

A hipertensão pediátrica está crescendo globalmente, sobretudo em países de baixa e média renda. As causas são múltiplas: genética, alimentação rica em ultraprocessados e sal, excesso de peso, sedentarismo, pouco sono e outras condições associadas. Na maioria das vezes, não há sintomas, o que dificulta o reconhecimento precoce.

⚠️ Desafio central:

O diagnóstico tardio — muitas crianças não têm a pressão medida rotineiramente, e há pouca familiaridade com hipertensão de início precoce, especialmente em contextos com menos recursos.

❤️ Por que isso importa?

Mesmo sem sintomas, a pressão alta na infância pode causar alterações no coração e nos vasos e aumentar a chance de hipertensão persistir na vida adulta.

✅ Mensagem-chave:

Cuidar da pressão arterial desde cedo — com alimentação saudável, atividade física, controle do peso, redução de sal e medicamentos quando indicados — é uma das estratégias mais eficazes para proteger o coração no futuro.

👉 Prevenção começa na infância.