Doenças Inflamatórias Intestinais

As Doenças Inflamatórias Intestinais (DII), especialmente a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa, têm apresentado aumento progressivo de incidência na população pediátrica nas últimas décadas. Além de mais frequentes, muitos casos têm surgido em idades cada vez mais precoces e com maior extensão da doença, o que aumenta a complexidade do manejo clínico.

O tratamento inicial costuma ser medicamentoso, com uso de imunossupressores e terapias biológicas. No entanto, uma parcela das crianças e adolescentes pode evoluir com falha terapêutica ou complicações. Nesses cenários, a cirurgia passa a ser uma opção importante dentro do tratamento.

As principais indicações cirúrgicas incluem doença refratária ao tratamento clínico, complicações como estenoses, perfurações, abscessos e fístulas, além de situações de urgência, como megacólon tóxico ou hemorragia grave. Em pacientes com retocolite ulcerativa, a colectomia pode representar inclusive uma abordagem curativa da doença.

Em pediatria, a decisão cirúrgica deve sempre considerar o impacto no crescimento, na nutrição e na qualidade de vida. Por isso, o manejo ideal envolve uma equipe multidisciplinar formada por gastroenterologistas pediátricos, cirurgiões, nutricionistas e outros profissionais de saúde.

O reconhecimento precoce das complicações e o encaminhamento oportuno para avaliação cirúrgica contribuem para melhores resultados clínicos e redução de morbidade.

Referências

Sociedade Brasileira de Pediatria. Cirurgia nas Doenças Inflamatórias Intestinais Pediátricas. Documento Científico, 2026.

Turner D et al. Management of Paediatric Ulcerative Colitis. Journal of Pediatric Gastroenterology and Nutrition. 2018.

Van Limbergen J et al. The medical management of paediatric Crohn’s disease. ECCO/ESPGHAN guidelines. Journal of Crohn’s and Colitis. 2014.

Um alerta de saúde pública

📌 Baixa adesão ao seguimento de crianças expostas à sífilis congênita: um alerta em saúde pública

O estudo de Sampaio MG e Hofer CB, publicado no Jornal de Pediatria, analisou a adesão de cuidadores ao acompanhamento ambulatorial de crianças infectadas ou expostas à sífilis durante a gestação.

🔎 Principais achados (n = 256):

Apenas 32% tiveram adesão básica (seguimento clínico + laboratorial). Somente 16% alcançaram adesão completa (incluindo consultas especializadas). 14% evoluíram com sequelas permanentes.

⚠️ Dado crítico: a maioria dos recém-nascidos é assintomática e recebe tratamento inicial, o que pode gerar falsa sensação de resolução do problema e reduzir a percepção da necessidade de seguimento prolongado.

📊 Fatores associados à maior adesão:

Idade materna mais avançada Presença de sequelas na criança

👩‍🍼 Mães adolescentes apresentaram maior vulnerabilidade, com barreiras relacionadas a menor autonomia, dificuldades de acesso e fragilidade social.

🏥 O estudo reforça a necessidade de:

Fortalecer a Atenção Primária à Saúde (APS) Melhorar a integração entre maternidades e APS Implementar busca ativa Reduzir barreiras estruturais (transporte, acesso, continuidade do cuidado)

📌 Conclusão:

Apesar das diretrizes nacionais, a adesão ao seguimento ainda é insuficiente, mantendo risco de desfechos adversos evitáveis. Políticas públicas focadas em coordenação do cuidado e suporte às famílias vulneráveis — especialmente mães adolescentes — são fundamentais para mudar esse cenário.

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