As Doenças Inflamatórias Intestinais (DII), especialmente a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa, têm apresentado aumento progressivo de incidência na população pediátrica nas últimas décadas. Além de mais frequentes, muitos casos têm surgido em idades cada vez mais precoces e com maior extensão da doença, o que aumenta a complexidade do manejo clínico.
O tratamento inicial costuma ser medicamentoso, com uso de imunossupressores e terapias biológicas. No entanto, uma parcela das crianças e adolescentes pode evoluir com falha terapêutica ou complicações. Nesses cenários, a cirurgia passa a ser uma opção importante dentro do tratamento.
As principais indicações cirúrgicas incluem doença refratária ao tratamento clínico, complicações como estenoses, perfurações, abscessos e fístulas, além de situações de urgência, como megacólon tóxico ou hemorragia grave. Em pacientes com retocolite ulcerativa, a colectomia pode representar inclusive uma abordagem curativa da doença.
Em pediatria, a decisão cirúrgica deve sempre considerar o impacto no crescimento, na nutrição e na qualidade de vida. Por isso, o manejo ideal envolve uma equipe multidisciplinar formada por gastroenterologistas pediátricos, cirurgiões, nutricionistas e outros profissionais de saúde.
O reconhecimento precoce das complicações e o encaminhamento oportuno para avaliação cirúrgica contribuem para melhores resultados clínicos e redução de morbidade.
Referências
Sociedade Brasileira de Pediatria. Cirurgia nas Doenças Inflamatórias Intestinais Pediátricas. Documento Científico, 2026.
Turner D et al. Management of Paediatric Ulcerative Colitis. Journal of Pediatric Gastroenterology and Nutrition. 2018.
Van Limbergen J et al. The medical management of paediatric Crohn’s disease. ECCO/ESPGHAN guidelines. Journal of Crohn’s and Colitis. 2014.



