Disfunção diastólica na criança: quais doenças podem estar por trás desse achado? 🫀

A disfunção diastólica acontece quando o ventrículo apresenta dificuldade para relaxar ou perde complacência, podendo levar ao aumento das pressões de enchimento.

Na infância, ela pode aparecer em diferentes contextos. Entre os mais importantes estão as cardiomiopatias, especialmente hipertrófica e restritiva, algumas cardiopatias congênitas, miocardites e outras doenças inflamatórias, além de condições metabólicas, genéticas e de depósito.

Também podemos encontrar alterações da função diastólica em crianças com hipertensão arterial, doença renal crônica, obesidade, diabetes, após exposição a medicamentos cardiotóxicos e em pacientes submetidos a transplante cardíaco.

Mas existe um ponto fundamental: disfunção diastólica não deve ser diagnosticada por um parâmetro isolado.

Na criança, relação E/A, Doppler tecidual com e′, relação E/e′, dimensões atriais, fluxo das veias pulmonares e outros parâmetros precisam ser analisados em conjunto. Idade, frequência cardíaca, tamanho corporal, condições de carga e cardiopatia de base também interferem significativamente na interpretação.

Por isso, os pontos de corte estabelecidos para adultos não devem ser simplesmente transportados para a população pediátrica.

No ecocardiograma pediátrico, mais importante do que procurar um número alterado é compreender a fisiologia e o padrão global de enchimento ventricular.

📚 Referências: Lopez L et al. J Am Soc Echocardiogr. 2024;37:119-170. Nagueh SF et al. J Am Soc Echocardiogr. 2025;38:537-569. Cantinotti M et al. Eur Heart J Cardiovasc Imaging. 2024;25:1029-1050.