Ferro todos os dias ou em dias alternados?

💊 Ferro todos os dias ou em dias alternados? A ciência responde

Um grande estudo clínico randomizado e duplo-cego avaliou mulheres com deficiência de ferro e comparou duas estratégias de suplementação oral:

🔹 Ferro todos os dias

🔹 Ferro em dias alternados, com a mesma dose total ao final do tratamento

Principais achados:

📊 Os níveis de ferritina foram semelhantes nos dois esquemas 🤢 Efeitos gastrointestinais foram muito mais frequentes com o uso diário 🔄 O esquema em dias alternados gerou menor aumento da hepcidina, favorecendo melhor absorção do ferro ⏳ Após 6 meses, a deficiência de ferro foi menor no grupo que usou ferro em dias alternados

Conclusão prática:

👉 Para a maioria das mulheres com deficiência de ferro (sem anemia grave), tomar ferro em dias alternados é tão eficaz quanto diariamente, com menos efeitos colaterais e melhor adesão.

📚 Estudo publicado na eClinicalMedicine (The Lancet), 2023.

Síndrome do desconforto respiratório agudo

🫁 ❗ RIGHT-SIDED HEART FAILURE no ARDS — o que a evidência diz

Recentemente, uma revisão publicada no European Respiratory Review traz uma visão integrada sobre como a síndrome do desconforto respiratório agudo (ARDS) pode levar à insuficiência do ventrículo direito.

💡 Pontos principais:

• No ARDS há aumento da resistência vascular pulmonar → sobrecarga no VD

• Ventilação mecânica com PEEP alta pode agravar esse estresse no coração direito

• Hipóxia, inflamação e aumento do pós-carga pulmonar contribuem para disfunção do VD

• A disfunção do VD está associada a pior desfecho clínico em pacientes graves

🧠 Por que isso importa?

Reconhecer e monitorar a função do coração direito no ARDS é crucial — especialmente em pacientes ventilados — para guiar estratégias ventilatórias e otimizar desfechos.

📚 European Respiratory Review (@europeanrespreview)

🧪 Authors: Yogeswaran et al.

Prolapso da valva mitral

🫀 PROLAPSO DA VALVA MITRAL (PVM):

nem sempre é benigno

O PVM é uma condição heterogênea. Embora muitos pacientes tenham evolução favorável, um subgrupo apresenta maior risco de arritmias ventriculares e morte súbita.

🔎 Fenótipos principais

• Doença de Barlow → folhetos espessos, redundantes, multissegmentares

• Deficiência fibroelástica → folhetos e cordas finos, maior risco de ruptura

• Fendas mitrais podem agravar a regurgitação

⚠️ Disjunção Anular Mitral (MAD)

✔️ MAD verdadeiro: separação do anel mitral visível em sístole e diástole

✔️ Associado a maior risco arrítmico

❌ Pseudo-MAD: efeito óptico por folhetos volumosos

❤️ Marcadores de risco arrítmico

• Prolapso bivalvar

• Folhetos longos e redundantes

• MAD > 8,5 mm

• Fibrose miocárdica na RM (LGE), especialmente em parede inferolateral ou músculos papilares

📈 Sinais ecocardiográficos importantes

• Sinal de Pickelhaube (Doppler tecidual)

• Curling da base do VE na sístole

• Dispersão mecânica ao strain

🧠 Mensagem-chave

PVM não é uma única doença.

A avaliação integrada com ecocardiografia avançada, ECG e RM cardíaca é fundamental para identificar pacientes de alto risco arrítmico e orientar seguimento individualizado.

📚 Imagem cardíaca salva vidas quando bem interpretada.

Estratificação de Risco TEP

🫁 Nova Estratificação de Risco no Tromboembolismo Pulmonar (TEP)

Diretrizes 2026 – AHA/ACC

As novas diretrizes propõem cinco categorias clínicas (A–E) para classificar o risco no manejo do TEP agudo, substituindo o modelo binário antigo.

🔹 Categorias A e B – Baixo Risco

• Pacientes estáveis e sem sinais de risco

(PESI < 85 ou sPESI = 0)

• Manejo ambulatorial possível

• Cuidados em casa ou alta precoce na internação

🟠 Categoria C – Divisor de Águas

• Estáveis, mas com maior risco

Avaliação por:

• Troponina

• BNP

• Ecocardiograma

• Indicativo de risco aumentado mesmo sem instabilidade imediata

🟣 Categorias D e E – Instabilidade / Choque

• Indicadores de sérias alterações hemodinâmicas

• Requerem:

• Hospitalização em UTI

• Possível necessidade de suporte avançado ou intervenção

📌 Resumo das Categorias e Local de Cuidado

Categoria Situação Clínica Local de Cuidado

A / B Estável / baixo risco Domicílio / alta precoce

C Estável / alto risco Hospitalização (enfermaria)

D / E Instabilidade / choque UTI

⚙️ Modificadores e Aspectos Terapêuticos

🫁 O modificador respiratório “R”

Inclua “R” na classificação se houver:

• SpO₂ < 90%

• FR ≥ 30

• Necessidade de oxigênio suplementar

💊 Anticoagulação – Preferências

• DOACs preferidos quando possível

• Heparinas (HBPM) acima de HNF quando necessário

👥 Equipes PERT (Pulmonary Embolism Response Team)

• Multidisciplinares

• Fundamentais para decisões de terapia avançada (trombólise, trombectomia) nos casos de risco intermediário ou alto

🧠 Mensagem-Chave

A estratificação atual é mais refinada e clínica, indo além de simplesmente “baixo vs alto” risco, e fornece um guia prático para decidir local de cuidado e intensidade terapêutica.

📚 AHA/ACC 2026

Vírus Sincicial Respiratório

🦠 Vírus Sincicial Respiratório (VSR): o que mudou na prevenção em 2026?

O VSR é a principal causa de bronquiolite e infecções respiratórias graves em lactentes, especialmente nos primeiros 6 meses de vida, prematuros e crianças com comorbidades. No Brasil, sua circulação é sazonal, com maior intensidade entre fevereiro e agosto, variando conforme a região.

🔎 Por que o VSR preocupa?

• Quase todas as crianças já tiveram contato com o vírus até os 2 anos

• Responsável por cerca de 75% dos casos de bronquiolite viral aguda em menores de 2 anos

• Em 2025, houve o maior pico histórico de SRAG por VSR, principalmente em crianças pequenas

• Não existe tratamento antiviral específico → prevenção é fundamental

🛡️ Principais estratégias de prevenção atualmente

✔️ Vacina contra VSR para gestantes (A e B – recombinante)

• Indicada para todas as gestantes, a partir de 28 semanas

• Dose única, a cada gestação

• Protege o bebê por meio da transferência de anticorpos pela placenta

• Disponível no SUS desde novembro de 2025

✔️ Palivizumabe (anticorpo monoclonal)

• Uso restrito a grupos de alto risco

• Necessita múltiplas doses durante a sazonalidade

• Indicado para prematuros extremos e crianças com cardiopatia congênita ou doença pulmonar crônica

✨ Grande novidade: Nirsevimabe

• Anticorpo monoclonal de dose única

• Incorporado ao SUS em 2026

• Amplia a proteção para:

🔹 Todos os prematuros (<37 semanas)

🔹 Crianças até 24 meses com comorbidades (ex: cardiopatia congênita, broncodisplasia, síndrome de Down, imunodeficiências)

• Pode ser aplicado ao nascimento, preferencialmente na maternidade

• Não é intercambiável com o palivizumabe na mesma sazonalidade

📌 Mensagem-chave:

A prevenção do VSR avançou muito. A combinação de vacinação materna e anticorpos monoclonais de longa duração, como o nirsevimabe, representa um marco na redução de internações, complicações e mortes por VSR na infância.

📚 Fonte:

Boletim Científico nº 82 – Sociedade Mineira de Pediatria, fevereiro de 2026  

Ácido fólico e autismo

Ácido folínico (leucovorin) e autismo: o que a ciência diz até agora

🔍 Nos últimos meses, surgiram muitas dúvidas sobre o uso do ácido folínico (leucovorin) no Transtorno do Espectro Autista (TEA). Um documento técnico recente reuniu os principais posicionamentos oficiais de sociedades médicas e órgãos regulatórios internacionais.

📌 Pontos-chave:

O FDA reconheceu o leucovorin apenas para o tratamento da Deficiência Cerebral de Folato (DCF) — uma condição genética rara que pode cursar com sinais de autismo, mas não é autismo. Não existe recomendação das principais entidades (AAP, APA, NEJM) para o uso rotineiro do ácido folínico no autismo em geral. O uso no TEA é considerado off-label, com benefícios não comprovados, doses variáveis e efeitos a longo prazo desconhecidos. Um estudo que sugeria benefício no autismo foi cancelado por falhas metodológicas. Testes de autoanticorpos contra o receptor de folato (FRAAs) não são aprovados e ainda carecem de validação científica. Quando indicado, o leucovorin deve ser considerado apenas em casos de DCF confirmada, com acompanhamento especializado.

🩺 Conclusão: até o momento, não há evidência científica suficiente para indicar ácido folínico como tratamento padrão para autismo. Decisões terapêuticas devem ser individualizadas, baseadas em diagnóstico preciso, evidências atualizadas e acompanhamento médico especializado 

🧠 Informação de qualidade protege as crianças e orienta escolhas seguras.

Hipertensão na infância

🩺 Hipertensão na infância: um risco que pode acompanhar por toda a vida

📅 16 de fevereiro de 2026

📚 The Lancet Child & Adolescent Health

🔗 DOI: 10.1016/S2352-4642(25)00302-5

A pressão alta em crianças e adolescentes deixou de ser rara e já é considerada um problema de saúde pública. Quanto mais cedo ela surge, maior o tempo de agressão ao coração e aos vasos, aumentando o risco de doenças cardiovasculares ao longo da vida.

🔎 O que o estudo destaca:

A hipertensão pediátrica está crescendo globalmente, sobretudo em países de baixa e média renda. As causas são múltiplas: genética, alimentação rica em ultraprocessados e sal, excesso de peso, sedentarismo, pouco sono e outras condições associadas. Na maioria das vezes, não há sintomas, o que dificulta o reconhecimento precoce.

⚠️ Desafio central:

O diagnóstico tardio — muitas crianças não têm a pressão medida rotineiramente, e há pouca familiaridade com hipertensão de início precoce, especialmente em contextos com menos recursos.

❤️ Por que isso importa?

Mesmo sem sintomas, a pressão alta na infância pode causar alterações no coração e nos vasos e aumentar a chance de hipertensão persistir na vida adulta.

✅ Mensagem-chave:

Cuidar da pressão arterial desde cedo — com alimentação saudável, atividade física, controle do peso, redução de sal e medicamentos quando indicados — é uma das estratégias mais eficazes para proteger o coração no futuro.

👉 Prevenção começa na infância.

Cobertura vacinal infantil no mundo

Cobertura vacinal infantil no mundo: onde avançamos e onde estamos falhando 🌍💉

🔎 O que o estudo analisou?

Análise sistemática do Global Burden of Disease 2023, publicada em The Lancet, avaliou a cobertura vacinal infantil de rotina entre 1980 e 2023, em 204 países, com projeções até 2030, alinhadas às metas da Organização Mundial da Saúde (IA2030).

📈 Principais achados

Desde 1974, a vacinação infantil evitou cerca de 154 milhões de mortes. A cobertura global das vacinas clássicas (DTP, pólio, sarampo e BCG) quase dobrou entre 1980 e 2023. ⚠️ Estagnação antes da pandemia: entre 2010–2019, muitos países (inclusive de alta renda) já apresentavam queda. 🦠 Impacto da Covid-19: desde 2020, a cobertura caiu e não retornou aos níveis pré-pandêmicos até 2023. Vacinas mais recentes (pneumococo, rotavírus e 2ª dose do sarampo) continuam expandindo, mas lentamente. 📊 Projeções 2030: apenas a DTP3 pode atingir 90% de cobertura, e somente em cenário otimista.

🚨 Crianças “zero-dose”

Redução expressiva até 2019, mas reversão após a pandemia. Em 2021: 18,6 milhões de crianças sem nenhuma dose. Em 2023: 15,7 milhões, com mais da metade concentrada em 8 países, incluindo o Brasil — evidenciando desigualdades persistentes.

🧭 Mensagem-chave

Para cumprir a Agenda de Imunização 2030, será necessário acelerar o progresso, fortalecer a atenção primária, combater a desinformação e priorizar populações vulneráveis. A recuperação pós-Covid, como o Big Catch-Up, é urgente para evitar retrocessos duradouros.

📚 Fonte: The Lancet (2026). DOI: 10.1016/S0140-6736(25)01037-2.

Vacinação contra HPV

Vacinação contra o HPV: o que a ciência mostra 💉🦠

🔹 Por que importa?

O câncer do colo do útero é a 4ª causa de morte por câncer em mulheres no mundo. A infecção persistente por HPV de alto risco é o principal fator envolvido — e a vacina atua prevenindo essa infecção.

🔹 O que foi estudado?

Revisão sistemática da Cochrane avaliou eficácia e segurança das vacinas contra HPV (Cervarix, Gardasil, Gardasil-9 e Cecolin) em 60 estudos, com 157.414 participantes.

🔹 Principais resultados

👧👩 Meninas e mulheres de 15–25 anos: Cervarix e Gardasil reduzem lesões pré-cancerosas de alto grau do colo do útero (NIC2+) no curto prazo. 👩 Acima de 25 anos: benefício menor para lesões cervicais de alto grau. 🧑 15–25 anos (ânus/pênis): pouca ou nenhuma diferença para lesões pré-cancerosas anais ou penianas no curto prazo. 🌸 Vagina e vulva: Gardasil e Gardasil-9 reduzem pré-câncer de alto grau. 🧾 Verrugas anogenitais: redução clara após a vacinação. 🩹 Segurança: dor e inchaço locais são comuns; não houve aumento de eventos graves. Diferenças de risco entre vacinas são incertas.

🔹 Qualidade das evidências

Confiança moderada para: efeitos adversos graves, tratamento de doenças relacionadas ao HPV, lesões pré-cancerosas cervicais/vaginais/vulvares e verrugas. Menor confiança para câncer e lesões penianas/anais (poucos casos e seguimento curto).

👉 Mensagem-chave: a vacinação contra o HPV é segura e eficaz para reduzir lesões pré-cancerosas e verrugas, especialmente quando aplicada antes da exposição ao vírus.

📚 Fonte: Cochrane Systematic Review – Intervention. DOI: 10.1002/14651858.CD015364.pub2

Doenças Valvares

🫀 Doenças Valvares: os 10 estudos mais importantes de 2025

O European Heart Journal reuniu os 10 trabalhos que mais impactaram a prática clínica em doenças valvares em 2025. Destaques:

🔹 Inteligência Artificial

Modelos de IA já conseguem detectar doenças valvares estruturais pelo ECG e classificar a gravidade das insuficiências valvares no eco, com alta acurácia — abrindo caminho para rastreamento em larga escala.

🔹 Estenose Aórtica Assintomática

Intervenção precoce (TAVI ou cirurgia) reduz hospitalizações por IC e eventos cardiovasculares, mas não mostrou redução de mortalidade até o momento. Seguimento longo ainda é essencial.

🔹 TAVI vs Cirurgia em baixo risco

Em pacientes jovens e de baixo risco, TAVI e cirurgia apresentaram resultados semelhantes até 7 anos. ⚠️ Atenção especial aos pacientes com valva aórtica bicúspide.

🔹 Tratamento clínico após TAVI

O uso de dapagliflozina após TAVI reduziu descompensações por insuficiência cardíaca, reforçando a importância do tratamento medicamentoso associado.

🔹 Insuficiência Mitral

Dados de mundo real mostram encaminhamento tardio, baixas taxas de intervenção precoce e impacto prognóstico da insuficiência mitral residual.

🔹 Intervenções transcateter

M-TEER e T-TEER reduzem hospitalizações por IC, mas sem impacto claro em mortalidade até agora. Seleção adequada do paciente é fundamental.

📌 Mensagem final:

O futuro das doenças valvares passa por IA, intervenções cada vez mais precoces e personalização do tratamento, sempre com cautela na interpretação de desfechos de longo prazo.

📚 Fonte: European Heart Journal, 2026