Muitas gestantes não sabem, mas o diabetes na gestação pode estar associado a alterações no desenvolvimento cardíaco do bebê, inclusive ao aumento da espessura do músculo do coração, quadro conhecido como cardiomiopatia hipertrófica fetal/neonatal. Por isso, em muitos casos, o ecocardiograma fetal durante a gravidez e o ecocardiograma do recém-nascido após o nascimento são etapas importantes para uma avaliação mais completa e segura.
Quando a glicose materna está aumentada, há maior passagem de glicose pela placenta. O bebê responde com hiperinsulinemia fetal, e essa insulina em excesso tem efeito de crescimento sobre vários tecidos, incluindo o miocárdio fetal. Na prática, isso pode levar à hipertrofia do septo interventricular e da parede ventricular esquerda.
Na maioria das vezes, essa alteração é transitória, mas alguns bebês podem apresentar repercussão clínica importante, como dificuldade de adaptação no período neonatal, obstrução do fluxo de saída do ventrículo esquerdo e, em situações mais delicadas, sinais de insuficiência cardíaca.
🫀 Por que o ecocardiograma fetal é tão importante nesse contexto?
Porque ele permite avaliar ainda na gestação:
- a estrutura do coração do bebê
- a função cardíaca fetal
- sinais de hipertrofia miocárdica
- e o planejamento mais adequado para o nascimento e os primeiros cuidados pós-parto
👶 E por que repetir a avaliação após o nascimento?
Porque o ecocardiograma do bebê ajuda a confirmar os achados, avaliar a adaptação cardiovascular neonatal e definir se será necessário apenas acompanhamento ou alguma conduta específica.
No consultório particular, essa avaliação é feita com tempo, atenção aos detalhes e explicação clara para a família. Para muitas mães, entender o que está acontecendo com segurança e acolhimento faz toda a diferença durante a gestação.
Cuidar bem da gestação também é cuidar do coração do bebê antes mesmo do nascimento.
🩺 Dra. Gabriela Aires Ribas
Pediatra e Cardiologista Pediátrica
CRM 52697 • RQE 33941/33942















